O concurso

Antes do início do segundo semestre na Unicamp, descobrimos que minha namorada estava grávida. Isso nos obrigou a refazer rapidamente os nossos planos. Voltei para Campinas e continuei o curso no segundo semestre, mas já comecei a conversar com meu orientador sobre como equacionar a situação a partir de meados de 1997. O programa de mestrado tinha dois semestres de disciplinas, e os dois últimos eram dedicados basicamente ao desenvolvimento e à escrita da tese. Ficou acertado que eu faria essa segunda parte a partir de Belo Horizonte. Também definimos o tema da tese: um esquema de classificação para sistemas de pagamento eletrônico, e fizemos a qualificação nesse tema.
No meio do meu segundo semestre na Unicamp (primeiro semestre de 1997) nos casamos em Minas e saímos em lua de mel rumo ao litoral de São Paulo, com um pequeno pit stop em Campinas. Havia uma disciplina no mestrado chamada Seminários de Computação, sem prova, em que a única exigência era presença. Como Campinas ficava mais ou menos no caminho, dormimos lá uma noite; fui ao seminário (a Gisele foi comigo) e, de lá, seguimos para a praia para uma lua de mel de verdade.
No meio do ano, empacotei minhas coisas, coloquei tudo no meu Uno Mille, me despedi do pessoal da república e segui viagem. Conseguimos um apartamento em Belo Horizonte e começamos a organizar a mudança e os móveis do quartinho do bebê. Mudamos para o novo apartamento e, enquanto a Gisele terminava a graduação, eu continuei trabalhando na minha tese de mestrado.
Nesse mesmo período, apareceu um concurso para professor na Universidade Federal de Lavras, na área de computação. Era um dos poucos concursos em universidades que exigia apenas a graduação. A UFLA tinha acabado de ser transformada de escola superior de agricultura em universidade federal. O reitor tinha planos ambiciosos de modernização, e um dos primeiros passos foi criar um curso de computação para poder contratar especialistas na área.
Como estávamos começando uma família, pareceu importante buscar algo mais sólido do que viver apenas da bolsa de mestrado. O concurso da UFLA surgiu como uma excelente oportunidade. Eu me preparei um pouco: havia uma lista de dez tópicos, com prova escrita e uma aula para a banca. A Gisele me ajudou bastante nessa preparação, inclusive fazendo as transparências para alguns dos possíveis tópicos de aula, de modo que eu estivesse pronto para qualquer tópico sorteado.
O concurso durou dois dias. Fiquei em um hotel simples em Lavras e fiz as provas. Por coincidência, o mesmo tópico (algoritmos de ordenação) foi sorteado tanto para a prova escrita quanto para a aula. Para mim foi ótimo, porque era um assunto com o qual eu tinha bastante desenvoltura. Eu tinha até levado um baralho para usar na aula e demonstrar os algoritmos, mas acabei esquecendo e usei apenas as transparências. Um detalhe curioso é que o membro externo da banca era um professor da UFMG com quem tive aula (o prof. Monteiro) e ainda se lembrava bem de mim. No final, ele voltou comigo de carona para Belo Horizonte. Mesmo sem o baralho, passei: fiquei em primeiro lugar no concurso. Restava apenas esperar a convocação.
Logo depois do meu retorno a Belo Horizonte, nasceu o Pedro. Vieram juntos a adaptação à nova vida com um bebê, as burocracias relacionadas ao novo emprego e a negociação sobre quando eu precisaria estar em Lavras para começar a trabalhar. Como a universidade funciona por semestres, ficou informalmente acertado que eu poderia continuar morando fora de Lavras até o início do ano letivo de 1998. Nesse período, segui escrevendo a tese (com o Pedro no meu colo), trocando mensagens com o orientador por e-mail e fazendo viagens ocasionais a Campinas para conversas presenciais. O pessoal da república deixava eu dormir por lá quando ia a Campinas.
A tese avançava mais devagar do que eu gostaria, mas havia progresso, inclusive com publicações em vários congressos nacionais. Até que chegou o dia de me mudar para Lavras.