Minha Timeline

1983 a 1991: o início

A minha relação com tecnologia começou cedo, ainda na adolescência, entre computadores pessoais de outra era, curiosidade técnica e vontade de entender como as máquinas funcionavam por dentro. Fiz curso técnico em eletrônica e, aos 17 anos, consegui estágio na IBM, na área de manutenção de computadores. Ali tive contato com mainframes, redes corporativas globais, antivírus, planejamento de CPD e tecnologias como Token Ring. Foi o começo de uma trajetória marcada por infraestrutura, redes e uma fascinação duradoura por sistemas complexos.

1992 a 1996: UFMG, internet e criptografia

Na UFMG, cursando Ciência da Computação, essa curiosidade ganhou forma. Vivi a universidade num período em que a internet ainda estava se consolidando, participei de laboratórios, explorei o estudo de vírus e entrei para a iniciação científica. Foi nesse contexto que a criptografia apareceu de vez no meu caminho. Também participei de empresa júnior, me envolvi com projetos práticos e ajudei a criar a Expert Solutions, uma experiência precoce de empreendedorismo em tecnologia. Esse período definiu muito do que viria depois: pesquisa, segurança, redes e a ponte constante entre teoria e prática.

1996 a 1998: Unicamp, mestrado e docência

Depois da graduação, fui para a Unicamp fazer mestrado, aprofundando meus estudos em criptografia e sistemas de pagamento eletrônico. Em seguida, tornei-me professor na Universidade Federal de Lavras, ajudando a estruturar um curso de computação ainda em consolidação. Dei aulas, organizei disciplinas e participei de melhorias de infraestrutura. Mais tarde, voltei à Unicamp para o doutorado. Mesmo sem concluir formalmente essa etapa, foi um período muito importante na minha formação intelectual, com pesquisa em protocolos criptográficos, agentes móveis e segurança formal.

1999 a 2006: mercado, redes e segurança corporativa

A transição definitiva para o mercado veio com a Intelligenesis, uma empresa americana que buscava construir sistemas avançados de inteligência artificial muito antes de isso virar assunto cotidiano. Trabalhei com infraestrutura, conectividade e segurança, em um ambiente internacional e ambicioso, até o colapso da empresa durante a crise das ponto com. Depois fui para a BMS, no grupo Belgo-Mineira, onde atuei com redes, firewalls, antivírus, alta disponibilidade, dispositivos móveis, virtualização e políticas de segurança da informação. Foi uma fase de amadurecimento profissional, em que deixei de atuar apenas como técnico e passei a lidar também com arquitetura, governança e análise de risco.

2006 a 2012: Brasília, setor público e comunidade técnica

Em Brasília, minha trajetória se consolidou na área de segurança da informação. Passei pelo BRB, depois por consultoria especializada, e mais tarde entrei no Banco Central. Lá, trabalhei com administração de firewalls, segurança de aplicações, criptografia e proteção de dados, incluindo a evolução dos mecanismos criptográficos do Sistema de Pagamentos Brasileiro. Em seguida, fui para a Câmara dos Deputados, onde continuei atuando com segurança e infraestrutura, mas também criei projetos com impacto institucional, como um curso interno de desenvolvimento seguro, a implantação de um WAF em software livre, a proposta do domínio .leg.br e a participação na estruturação de resposta a incidentes. Em paralelo, meu envolvimento com a comunidade cresceu: participei ativamente da OWASP e ajudei a organizar o AppSec Brasil 2009, em Brasília.

2012 a 2015: ONU em Nova Iorque

Depois de várias tentativas de trabalhar no exterior, fui aprovado para uma vaga na ONU, em Nova Iorque. Cheguei para organizar a área de firewalls, mas logo passei a atuar também com DNS, NTP, VPN, proxies, acesso remoto, análise de logs e resposta a incidentes. Foi um período intenso, com reorganização de datacenters, implantação de políticas de default deny, automação de processos e apoio técnico a eventos internacionais, como a Rio+20. Trabalhar naquele ambiente significou lidar diariamente com infraestrutura crítica, pressão operacional e a complexidade política típica de uma organização global.

2015 em diante: Viena e liderança técnica internacional

Depois de cerca de três anos em Nova Iorque, mudei-me para Viena para assumir no CTBTO a chefia da unidade de administração de Linux. A mudança representou uma promoção dentro do sistema ONU e marcou uma nova etapa da minha vida profissional, agora em posição de liderança técnica internacional. Foi também o encerramento natural do arco narrado neste livro: uma trajetória que começou com a curiosidade de um adolescente diante de computadores antigos e chegou a cargos de responsabilidade em organizações globais.

O fio condutor

Olhando essa linha do tempo, vejo menos uma carreira linear e mais uma sequência de camadas que foram se acumulando: eletrônica, redes, criptografia, infraestrutura, segurança, ensino, comunidades técnicas, governo e organismos internacionais. Em momentos diferentes fui pesquisador, professor, administrador de sistemas, consultor, especialista em segurança, organizador de eventos e gestor técnico. O que une tudo isso é a mesma motivação: entender sistemas complexos e fazê-los funcionar melhor, com mais segurança, clareza e responsabilidade.