Viena

Ficamos cerca de três anos em Nova Iorque até começarmos a nos cansar do estresse constante da cidade. Tudo é intenso, cheio e acelerado. Há sempre muita coisa acontecendo ao mesmo tempo, mas quase tudo envolve enfrentar multidões. Fazer programas que a gente vê nos filmes, como patinar no gelo no Central Park, significa lidar com filas enormes e pistas lotadas. Ir ver a árvore de Natal do Rockefeller Center implica enfrentar uma quantidade de gente que nem cabe nas calçadas, a ponto de a polícia colocar barreiras para evitar que os pedestres avancem da calçada para a rua.

Por conta disso, começamos a considerar outras alternativas, principalmente dentro do sistema da ONU, mas também fora. Cheguei a participar de um processo para o Google em Zurique, que me rendeu uma viagem para a Suíça. Enquanto eu estava lá, recebi uma mensagem dizendo que havia passado para a segunda fase de uma vaga em uma organização chamada CTBTO, uma agência pouco conhecida do sistema ONU. Como eu estava viajando e demorando a responder, eles chegaram a ligar para minha casa e falaram com a minha filha, que me avisou logo em seguida.

Não consegui estender o prazo, então precisei sair de Zurique de manhã, pegar um voo para Nova Iorque, chegar em casa e ainda fazer a prova de seleção à noite. Foi um dia bastante intenso, mas no final deu certo: fui selecionado para a fase de entrevistas online. Depois de algum tempo, recebi a confirmação de que havia sido aprovado. A vaga representava uma promoção dentro do sistema, já que eu assumiria um cargo um nível acima do meu.

O CTBTO fica em Viena, o que significava uma nova mudança de país. Aceleramos o processo para conseguir nos mudar durante as férias de verão, permitindo que as crianças começassem o ano letivo já em uma nova escola. Foi tudo um pouco corrido, mas conseguimos organizar as coisas e ainda tivemos um período de férias no Brasil antes da mudança.

Chegamos em Viena em agosto de 2015 e comecei logo depois a trabalhar no CTBTO como chefe da unidade de administração de Linux. Na prática, o time fazia mais do que o nome sugeria, mas essa era a designação oficial. Tivemos que nos adaptar a uma nova cidade, um novo país e também a um novo ambiente de trabalho, mas foi mais um período de aprendizado intenso para todos nós.

Vou encerrar por aqui este relato das minhas aventuras profissionais. Eu obviamente tenho muitas histórias dos últimos 10 anos, mas sinto que elas precisam de um pouco mais de tempo para amadurecer e para as feridas cicatrizarem. Com certeza, vou escrever a respeito daqui a alguns anos. Fique ligado!